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31/10/2005 08:57:04 - Folha Online
Acordo de paz em Israel pode fracassar
Um acordo de paz entre israelenses e palestinos pode fracassar antes mesmo de ser anunciado oficialmente. Membros de grupos extremistas palestinos teriam prometido suspender os ataques contra cidades de Israel, mas a morte de dois membros do Jihad Islâmico --atacados por soldados israelenses neste domingo-- ameaça o possível tratado.
O Jihad Islâmico teria concordado em participar do acordo. Este grupo foi responsável pelo atentado em Hadera na semana passada, que matou cinco civis israelenses e desencadeou uma megaofensiva de Israel contra territórios palestinos.
Khaled al Batch, porta-voz do grupo em Gaza, afirmou em um comunicado distribuído à imprensa que "eles estão comprometidos com a calma até quando os sionistas também aderirem [à trégua]".
O cenário pode mudar, no entanto, com os acontecimentos que seguiram as conversas de paz anunciadas pelo jornal israelense "Haaretz" e agências de notícias internacionais neste domingo. Forças israelenses cercaram uma casa na cidade de Qabatiyeh e mataram duas pessoas que estavam no local. Entre elas Jihad Zakarne, acusado por Israel de planejar um atentado suicida na semana passada.
Em resposta, o Jihad Islâmico divulgou um comunicado ameaçando atacar cidades israelenses próximas à Gaza. "As facções palestinas estão unidas para enfrentar a campanha sionista contra o Jihad Islâmico e o povo palestino."
Desde a semana passada, Israel tem feito bombardeios aéreos em Gaza, enquanto que grupos extremistas palestinos --principalmente o Jihad Islâmico-- continuaram a atirar foguetes Qassam (de fabricação caseira) contra cidades israelenses ao sul.
Durante a reunião do gabinete israelense, realizada neste domingo, Sharon prometeu uma "severa" retaliação contra qualquer ataque a Israel, mas afirmou discordar da afirmação feita pelo ministro da Defesa Shaul Mofaz na sexta-feira (28), a um jornal israelense. Ele disse que a paz "é impossível" de ser feita sob a atual administração palestina, liderada pelo presidente da ANP, Mahmoud Abbas.
Esse episódio de violência foi um duro teste ao acordo de paz realizado entre Abbas e Sharon em fevereiro passado, durante a cúpula de Sharm el Sheikh (Egito), que se estendeu a todos os grupos extremistas palestinos no mês seguinte.
O Jihad Islâmico tinha aceitado participar da trégua, mas acabou não cumprindo o acordo. O grupo realizou diversos atentados terroristas, incluindo quatro ataques suicidas, classificados pelos líderes do grupo como "represálias" contra as violações israelenses ao cessar-fogo.
Em Gaza, Israel reabriu duas passagens neste domingo para permitir que caminhões transportando produtos e outros bens para dentro do território palestino. Apesar disso, palestinos ainda estão proibidos de se locomover.
Com agências internacionais
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