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27/07/2006 16:57:54 - Diário do Grande ABC
Desemprego recua para 15,6% no Grande ABC
O desemprego caiu de 16,1% da PEA (População Economicamente Ativa) em maio para 15,6% em junho no Grande ABC. Foi a primeira redução no índice desde fevereiro deste ano. O percentual resulta da criação de 10 mil vagas na região no mês passado, o que elevou o contingente de ocupados para 1,109 milhão. Essa variação não só reduziu a quantidade de desempregados de 211 mil para 205 mil como também compensou o aumento de 4 mil pessoas na PEA.
Os números integram a PED (Pesquisa de Emprego e Desemprego) divulgada pela Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados) em parceria com o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). Na RMSP (Região Metropolitana de São Paulo), o índice caiu de 17,0% para 16,8%.
O resultado observado no Grande ABC surpreendeu positivamente o gerente de análise da PED pela Fundação Seade, Alexandre Loloian, na mesma medida em que o da RMSP frustrou as expectativas da entidade. Ele explica que, na região, a queda se deu na taxa de desemprego aberto (de 11,1% para 10,7%), enquanto o oculto manteve-se praticamente estável (recuo de 5,0% para 4,9%).
"Esse movimento (de redução no nível de emprego aberto) é sinal de que, a despeito da crise no segmento automotivo, o mercado de trabalho do Grande ABC demonstra sinais de dinamismo", avalia Loloian. Já na RMSP a queda se deu no emprego oculto (de 5,7% para 5,5%) – o que, no entender do analista, revela que "pessoas que estavam fazendo bico deixaram o mercado de trabalho".
O analista da Fundação Seade credita a evolução do emprego no Grande ABC em junho à indústria metal-mecânica e de química e borracha, com forte atuação na região, cujo contingente de ocupados cresceu 1,0% e 0,7%, respectivamente, na RMSP, a despeito da queda de 2,6% na indústria como um todo.
"Esses setores industriais contrariaram o comportamento geral do segmento, que diminuiu seu contingente de ocupados pelo sexto mês consecutivo", diz. Só em junho houve redução de 41 mil ocupações na indústria na RMSP, enquanto o comércio teve expansão de 19 mil postos (1,5%), o setor de serviços eliminou 21 mil ocupações (-0,5%) e o grupo Outros Setores criou 5 mil vagas (0,5%), refletindo o bom desempenho da construção civil.
Na visão do economista Antônio Carlos Schifino, do Observatório Econômico de Santo André, a redução no índice de desemprego do Grande ABC é um sinal de que as cadeias produtivas da região seguem contratando, em especial a automotiva, apesar da crise deflagrada pelo anúncio do plano de reestruturação da Volks e de seu impacto sobre o setor de autopeças. "Prova disso é que o desemprego no Grande ABC segue menor do que na Grande São Paulo", avalia.
RMSP – A redução de 0,2 ponto percentual na taxa de desemprego da RMSP não foi comemorada pela Fundação Seade/Dieese. Isso porque a queda resultou sobretudo da retirada de 69 mil pessoas do mercado de trabalho, que deixaram de procurar emprego, a maior saída para o mês na série histórica da PED, iniciada em 1985.
"Não há sinais de que há crescimento da ocupação e, por isso, as pessoas não se sentem motivadas a procurar uma ocupação", explica Loloian. Entretanto, boa parte desse contingente é formada por mulheres e jovens, e os chefes de família permaneceram no mercado, o que atenua o resultado.

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