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Notícias > Boletim Informativo NJE

27/12/2006 08:17:43 - Acisbec


Número de MPEs cresce 22%

Entre 2000 e 2004, o número de micro e pequenas empresas (MPEs) no Brasil aumentou 22,1%. De 4,11 milhões em 2000, passou para 5,02 milhões, quatro anos depois. Dos 924 mil novos estabelecimentos abertos no Brasil neste período, 99% eram micro e pequenas empresas.

A maior expansão aconteceu nas regiões Norte e Centro-Oeste, onde o número de MPEs aumentou, respectivamente, 29,1% e 27,2% nos quatro anos estudados. Entretanto, 85% destas novas empresas estão concentradas em 10 Estados - São Paulo (30,7%), Minas Gerais (11.6%), Rio Grande do Sul (10,7%), Paraná (7,9%), Rio de Janeiro (6,7%), Santa Catarina (5,3%), Bahia (4,5%), Goiás (3%), Ceará (2,9%) e Pernambuco (2,4%).

Os dados são da pesquisa Onde estão as Micro e Pequenas Empresas no Brasil, divulgada pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo (Sebrae-SP). Na ocasião foi lançado também o Observatório das MPEs, unidade do Sebrae-SP que vai monitorar a situação do empreendedorismo e dos pequenos negócios nos níveis regional e nacional. Outro dado importante do mapa do segmento no Brasil é o crescimento de 28,4% do setor de serviços entre as MPEs. Serviços de informática, aluguel de veículos, máquinas e objetos pessoais, venda de material de informática, celulares e acessórios e serviços de entregas, entre outros, registraram um crescimento maior entre 2000 e 2004.

“A pesquisa mostra claramente que há forte expansão de micro e pequenas empresas tanto em setores tradicionais, tais como de alimentos e vestuário, quanto nos segmentos mais sofisticados da economia, como os segmentos de informática e comunicações. A diferença é que os tradicionais se expandiram mais nas regiões mais pobres, enquanto nas regiões mais ricas a expansão foi puxada pelos segmentos mais sofisticados” avalia o coordenador do Observatório das MPEs, Marco Aurélio Bedê, responsável pela pesquisa.

O diretor-superintendente da entidade, José Luiz Ricca, afirma que os dados apresentados “são fundamentais para que governantes, legisladores, sociedade civil conheçam a realidade das MPEs formulem políticas públicas capazes de garantir a competitividade deste segmento fundamental para a geração de empregos e crescimento da economia.” E completa: “afinal esses 1 milhão de novas empresas criaram cerca de 3 milhões de novos postos de trabalho.”

As micro e pequenas empresas no Brasil são responsáveis por 60% do pessoal ocupado e 20% do PIB nacional. No livro, de 147 páginas, há dados individuais sobre todas as unidades da federação, detalhando quais as principais atividades em cada setor, em participação e em números absolutos e a variação desse número no período estudado, além de breves análises sobre os números.

Diferenças regionais
As regiões Norte, Centro-Oeste e Nordeste tiveram crescimento no número de MPEs acima da média nacional. “Isso resulta da combinação de vários fatores, tais como o crescimento mais acelerado da população nessas regiões, o aumento real do salário mínimo, a ampliação dos programas sociais e de redistribuição de renda e a expansão da fronteira agrícola”, avalia Bedê.

O Sudeste (com 2,55 milhões de estabelecimentos em 2004) e o Sul (com 1,2 milhões), apesar das taxas de crescimento mais modestas - respectivamente 20,5% e 21,6% -continuam sendo as regiões que concentram o maior número de MPEs: 75,7% no total. “Nessas regiões, também houve expansão do número de MPEs, em especial no setor de serviços, como uma resposta à necessidade de modernização da sociedade e a maior sofisticação da demanda”, complementa o economista.

Setores
O número de MPEs do setor de serviços cresceu 28,4% (representando em 2004 29,6% de todas micro e pequenas empresas); o comércio, 21,5% (56,1% do total) e o número de micro e pequenas indústrias teve uma expansão mais modesta: 12,9% (14,3%).

No setor de serviços, alguns ramos tiveram um crescimento mais forte, como o de MPEs especializadas em serviços de informática (57%), transporte terrestre (38%), corretores de seguros, saúde e previdência privada (38%) e atividades recreativas (32%) - exemplos da modernização da sociedade e sofisticação da demanda.

No comércio, a maior expansão foi de estabelecimentos que vendem material e equipamento para escritório e informática (crescimento de 60%), além do varejo de eletrodomésticos/celulares (40,5%). O pequeno comércio de veículos (usados, principalmente) e autopeças também mostrou crescimento acima da média. Setores tradicionais, como minimercados e mercearias e varejo do vestuário, representam juntos 22% em número de MPEs do comércio - há cerca de 300 mil estabelecimentos em cada uma dessas categorias no Brasil.

Entre as pequenas indústrias, o levantamento mostra que os principais setores ainda são de construção civil (que concentra 25% das MPEs do setor), indústria de confecções (12%) e indústria de alimentos e bebidas (12%). A maioria das micro e pequenas indústrias tem, como características, baixo volume de capital, tecnologia de domínio público e produtos voltados para atender as necessidades básicas da população.

Metodologia
A pesquisa utilizou dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), do Ministério do Trabalho e Emprego. A RAIS é preenchida por todas as empresas formais, que tenham CNPJ. O critério de classificação das empresas como micro e pequenas foi o número de funcionários: até 49, para os setores de comércio e serviços, e até 99 para a indústria.

Foram analisadas todas as divisões e classes da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) relacionados ao setor privado da economia, ou seja, não foram considerados no estudo os estabelecimentos da administração pública, entidades empresariais e ONGs, por não serem considerados empresas privadas. Os estabelecimentos de saúde e educação também não aparecem porque não havia como separar os estabelecimentos da rede privada do sistema público de saúde e ensino.

Criado em 2006, o Observatório das MPEs tem como finalidade monitorar a evolução e as tendências dos pequenos negócios no Brasil e no mundo. A equipe realiza pesquisas mensais sobre faturamento e nível de emprego nas micro e pequenas empresas paulistas, além de estudos mais profundos sobre a situação das MPEs, como a taxa de mortalidade de empresas, perspectiva de futuro e principais dificuldades. O objetivo é que esse conhecimento sirva de subsídio para a formulação de projetos dentro do Sebrae e para políticas públicas, fora da Instituição. O livro Onde estão as micro e pequenas empresas no Brasil também marca o lançamento oficial do Observatório.

Fonte: Uol



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