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A mulher no empreendedorismo
Comemorar o Dia Internacional da Mulher em 2007 é lembrar que a 150 anos atrás algumas operárias de Nova Iorque entraram em greve para reivindicarem a redução da jornada de trabalho de mais de 16 horas por dia para 10 horas, recebendo menos de um terço do que os homens. Essas mulheres foram fechadas na fábrica onde ocorreu um incêndio, e cerca de 130 morreram queimadas. De lá para cá muitas coisas mudaram, conquistas femininas foram conseguidas, mas mesmo assim, a data ainda tem como objetivo chamar a atenção para o papel e a dignidade da mulher e levar a uma tomada de consciência do valor da pessoa, perceber o seu papel na sociedade, contestar e rever preconceitos e limitações que vêm sendo impostos à mulher.
No empreendedorismo, as mulheres estão chegando e mostrando que veio para ficar. No Brasil, a participação das mulheres no empreendedorismo é muito significativa e cresce a cada dia, tornando o país campeão na participação das mulheres. Segundo estudos, já é de cerca de 45% a presença da mulher nas empresas, sem contar o aumento de sua atuação em posições de liderança nas empresas e na conquista de mais terreno no espaço público. Hoje já são em torno de 6,4 milhões de empreendedoras brasileiras.
A participação das mulheres no empreendedorismo foi estimulada pelo Estatuto da Microempresa, instituído em 1984, muitas mulheres que trabalhavam em casa formaram novos empreendimentos, graças a permissão que marido e mulher pudessem constituir cada um sua microempresa. Era o que faltava para as mulheres assumirem seu lado empresarial. Os Estados do Sul e do Sudeste foram os que constataram o fenômeno com maior intensidade. De um modo geral, as preferências recaíam sobre lojas de roupas, pequenas confecções ou produtos artesanais e caseiros.
Nesse Dia Internacional da Mulher temos que reconhecer e reverenciar a importância das mulheres para o crescimento do país, porque elas só constróem para si uma alternativa de inclusão ou permanência no mercado de trabalho, mas também geram empregos e promovem inovação e riqueza.
As mulheres vêm modificando seus papéis sociais e encontrando novas e criativas estratégias para lidar com a multiplicidade de papéis que envolvem autonomia no trabalho e poder de decisão. A situação traz muita satisfação para as mulheres em posição de liderança e são bons preditores do bem-estar psicológico de mulheres casadas. A experiência de ser empreendedora proporciona satisfação às mulheres, pois é mediadora de um forte sentimento de auto-realização, que se reflete em uma alta auto-estima. O exercício do empreendedorismo, apoiado em autonomia e poder de decisão, coloca as mulheres em condição de transformar as dificuldades e insatisfações em desafios capazes de gerar satisfação já que possibilita a criação e afirmação de seus próprios valores, na medida em que há autonomia, independência e liberdade para ter iniciativa e desenvolver idéias.
Na verdade, esses também eram os objetivos das operárias de Nova Iorque, em 1857.
Valter Moura Júnior é advogado, coordenador do Núcleo de Jovens Empreendedores da Associação Comercial e Industrial de São Bernardo, coordenador da Facesp-Jovem e assessor da Secretaria de Comunicação de São Bernardo.
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