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Empresa prática compete melhor

Toda e qualquer organização só poderá ser conduzida a novos patamares de competitividade por meio do estabelecimento de um equilíbrio de suas relações internas e externas, conquistado com a tomada de soluções objetivas para os problemas e a definição clara dos caminhos estratégicos a serem percorridos. Em suma, a competitividade só pode ser atingida pelo exercício cotidiano de uma política empresarial prática.

Este conceito de prática empresarial resume-se, na verdade, a tornar o melhor possível recursos humanos e técnicos em direção das metas a serem atingidas, e deveria ser constantemente buscado pelas organizações no conhecimento de cada funcionário, na aplicação de tecnologias, no relacionamento com o mercado por meio dos clientes, fornecedores e, inclusive, concorrentes.

O alvo da administração prática é eliminar desperdícios de tempo e recursos de quaisquer espécie, passando, portanto, a dispensar todos os fatores, que são ou possam vir a se transformar em obstáculos no caminho em busca de maior competitividade.

Empresários e administradores têm perfeita consciência disso, mas, já que é assim, por que existem mundialmente tão poucas organizações que poderiam, de fato, ser consideradas práticas? O que faz tantos executivos gastarem horas, dias, meses e até anos dedicados à tarefa de traçar linhas políticas e planos de ação em busca da competitividade que muitas vezes redundam em insucesso?

Administradores sabem que a prática é fundamental num negócio; o mais difícil, porém, é exercer corriqueiramente esse conceito de gestão. Atualmente, as organizações estão submersas numa multiplicidade de teorias e conceitos administrativos. Cada executivo acredita que as soluções mais objetivas para os problemas da empresa são aquelas proclamadas por este ou aquele guru. E segue a receita.

Entretanto, a partir do momento em que se detecta a carência de uma política uníssona de administração do negócio, passam a ser realizadas reuniões intermináveis com o objetivo de definir um novo plano de gestão para a empresa. Há uma busca quase insana dentro das empresas pelo novo: novas teorias, novos conceitos, novas políticas, novos planos, novas estratégias e o resultado de tudo isso são apenas novas reuniões.

É como se as empresas fossem o motorista de um carro com o pneu furado, parado à noite numa estrada. De repente ele avista alguém, que caminha em sua direção mas não sabe se virá ajuda ou um assalto. Na dúvida, o motorista fica paralisado, sem saber se entra no carro e vai embora, sacrificando o pneu, ou se aguarda e corre o risco do assalto - ou da ajuda benfazeja.

Muitas empresas e seus respectivos executivos, hoje em dia, encontram-se na mesma situação: sem conseguir exercer a prática, permitem que muitos conceitos sejam aplicados simultaneamente à gestão da organização. E, quando finalmente acabam por se dar conta de que há um perigo iminente no mercado, recorrem a um novo plano de ação, com a mesma simplicidade de quem troca apenas um pneu - e acaba assaltado.

O fato é que a prática empresarial, um conceito aparentemente tão banal e conhecido, acaba se tornando no dia-a-dia das empresas um ideal jamais atingido. Mas que deveria, ao menos, ser insistentemente buscado.

Francisco Guglielme Jr.
É consultor de empresas e professor da
Fundação Getúlio Vargas



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