Pela primeira vez, as mulheres brasileiras ultrapassam os homens no nível de empreendedorismo
A mulher brasileira está definitivamente conquistando seu espaço na economia contemporânea. Pela primeira vez, o nível de empreendedorismo entre as mulheres ultrapassou o dos homens. O dado foi constatado pelo mais recente Global Entrepreneurship Monitor (GEM 2007), estudo que mede as taxas do empreendedorismo mundial, divulgado pelo Sebrae e Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBQP).
As mulheres brasileiras ocuparam, em 2007, o 7º lugar no ranking mundial como mais empreendedoras. No Brasil, elas representaram 52% dos empreendedores adultos (18 a 64 anos), invertendo uma tendência histórica quando considerado o período 2001–2007. Embora a taxa de empreendedorismo feminino esteja crescendo, a necessidade ainda é fator marcante de motivação para a mulher iniciar o empreendimento. Enquanto 38% dos homens empreendem por necessidade, essa proporção aumenta para 63% para as mulheres.
Esses dados confirmam a tendência apresentada pelos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad 2006), que indicam que as mulheres buscam alternativa de empreendimentos para complementar a renda familiar, ou ainda porque nos últimos anos elas vêm assumindo cada vez mais o sustento do lar como chefe de família.
Para o diretor-técnico do Sebrae nacional, Luiz Carlos Barboza, as mulheres têm conquistado espaço não só no mundo dos negócios, como também em todos os campos da atividade humana. “Creio que, com o esperado crescimento da economia brasileira nos próximos anos, também poderemos assistir a essa reversão entre as mulheres empreendedoras. É de se esperar que, gradativamente, ocorra uma diminuição do empreendedorismo por necessidade entre as mulheres”, afirma.
O diretor acredita que, pelo fato de as mulheres terem maior escolaridade, elas poderão se preparar mais antes de abrir sua empresa. Assim, examinando as possibilidades que o mercado oferece, poderá haver um aumento do empreendedorismo por oportunidade gerando negócios mais competitivos e sustentáveis.
A principal mudança no cenário empreendedor nacional, apontada pela pesquisa GEM, foi que o brasileiro voltou a investir na abertura de novos negócios. A taxa de empresas iniciais (TEA) cresceu de 11,6%, em 2006, para 12,72%, em 2007 (equivalente a 15 milhões de empreendimentos).
Em 2007, no ranking mundial, o Brasil se aproximou mais dos principais países empreendedores do mundo, passando de 10º para 9º lugar. São cerca de 15 milhões de empreendedores iniciais (que estão em fase de implantação do negócio ou que já o mantêm por até 42 meses). Eles correspondem a 12,72% da população adulta de 118 milhões de brasileiros com 18 a 64 anos de idade.
Embora o Brasil tenha subido apenas uma colocação, esse crescimento é extremamente expressivo, quando se observa que, nesta edição, houve a inserção de cinco países na pesquisa: Cazaquistão, Porto Rico, República Dominicana, Romênia e Sérvia. Como a taxa de empreendedorismo de cada país é calculada individualmente, a inclusão de países na pesquisa GEM tende a alterar as posições dos países remanescentes no ranking mundial.
Nesta edição, a pesquisa GEM permaneceu trabalhando com duas categorias de ranking. Uma delas é a taxa de empreendedores em estágio inicial, medida a partir da pesquisa com a população adulta (18 a 64 anos) que está ativamente envolvida na criação de novos empreendimentos ou à frente de negócios com até três anos e meio. A outra categoria é a de empresas estabelecidas há pelo menos três anos e meio (42 meses).
Na categoria de empreendedores iniciais, os países mais bem colocados são Tailândia (26,87%), Peru (25,89%), Colômbia (22,72%), Venezuela (20,16%), República Dominicana (16,75%), China (16,43%), Argentina (14,43%) e Chile (13,43%). Na categoria de empresas estabelecidas, o Brasil ficou em 6º lugar (9,94%).
Setor de serviços é o preferido
A maioria das empresas que nasceram em 2007 no Brasil concentrou suas atividades nos serviços prestados aos consumidores. Este setor teve uma queda em 2006 e posterior recuperação em 2007 (54,1%). Dentro dos serviços prestados nessa categoria, a maioria está relacionada à comercialização de alimentos e roupas no varejo. Esse tipo de atividade cresceu 36% de 2006 a 2007.
Outros ramos também contribuíram para o crescimento das atividades de serviços em 2007: bares e lanchonetes (56%) e tratamentos de estética e beleza (66%). A preferência por essas atividades se dá, na sua maioria, pela possibilidade do uso de ferramentas computacionais, que agilizam o processo e geram maior produtividade. Nesse mesmo período, outros negócios tiveram perdas consideráveis, como prestação de serviços de reparação de escritório e informática (59%).
Outro setor que cresceu em 2007 nos Estados brasileiros foi o de transformação (29,7%), com exceção para: Rio de Janeiro, crescimento de apenas 2,1%, devido ao fraco desempenho das indústrias de borracha e plástico, perfumaria e produtos de limpeza, e metalurgia básica; e Rio Grande do Sul, com 4,2%, em razão do baixo desempenho da indústria de máquinas e equipamentos, peças e acessórios, e produtos de metal vinculados ao setor agrícola, além da indústria química. O comportamento dessas atividades no setor de transformação influencia o grau de atração por novos negócios.
Para compor a pesquisa no Brasil, em 2007, foram entrevistados dois mil indivíduos de idade adulta, entre 18 e 64 anos, de todas as regiões brasileiras, selecionados por meio de amostra probabilística. A pesquisa, que tem nível de confiança de 95% e erro amostral de 1,47%, conta ainda com opiniões de 36 especialistas brasileiros. Entre os anos de 2000 a 2007, foram entrevistados no Brasil 17.900 adultos.
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