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25/07/2008 10:18:14 - Agência Estado
IPCA-15 perde força em julho
A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) se desacelerou em julho em relação a junho, passando de + 0,9% para + 0,63% em decorrência da queda no ritmo de reajuste dos preços de alimentos e, principalmente, de produtos duráveis e serviços, o que surpreendeu o mercado. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no acumulado do ano até julho, o IPCA-15 subiu 4,33%, e no período de 12 meses, avançou 6,3%.
O preço dos produtos não-alimentícios passou de + 0,5% em junho para + 0,29%. Uma das maiores contribuições para essa perda de ritmo foi dada pelo item energia elétrica, que mostrou recuo de 0,35% no mês, mesmo com o reajuste de 8,63% em vigor a partir de 4 de julho nas tarifas de São Paulo.
Segundo o IBGE, a queda no preço da energia elétrica ocorreu porque, em contraposição ao reajuste, houve baixa de 3,33% na contribuição para o PIS/Pasep/Confins em São Paulo, que se refletiu também na maioria das áreas pesquisadas. Outro destaque de queda nos não-alimentícios ficou com o gás de botijão, cuja variação, que havia sido de 1,49% em junho, passou para 0,08% este mês.
O grupo de alimentos e bebidas mostrou também desaceleração no ritmo de alta. No período analisado, o grupo passou de + 2,3% para + 1,75%. Apesar disso, ele foi responsável por 0,40 ponto percentual do IPCA-15 do mês de julho (0,63%).
Segundo o IBGE, "produtos importantes no consumo familiar tiveram altas menos intensas, ou até mesmo queda de preços". O quilo do arroz havia aumentado 17,09% em junho e subiu 2,82% em julho; o pão francês passou de 3,43% para 0,11%, e a farinha de trigo passou de alta de 6,95% para um recuo de 1,06%.
Entre os aumentos, os destaques nos alimentos ficaram com o feijão preto (de 5,45% em junho para 6,74% em julho), feijão carioca (de -0,59% para 17,07%), carnes (de 5,35% para 6,86%) e refeição fora do domicílio (de 1,55% para 1,89%).
O grupo de alimentos e bebidas não foi o único a mostrar desaceleração no IPCA-15 de junho para julho. Dos nove agrupamentos de produtos e serviços que participam da composição do índice, apenas um, o de transportes, apresentou variação crescente de junho (0,27%) para julho (0,41%), especialmente por causa do aumento da gasolina (de -0,23% em junho para 0,79%).
Surpresa – O economista-sênior do BES Investimento, Flávio Serrano, surpreendeu-se com a evolução dos preços de produtos não-alimentícios. "Nossa estimativa para o grupo alimentação era idêntica à alta anunciada, de 1,75%. Mas o que me deixou contente foi o comportamento dos produtos não-alimentícios", disse.
Quanto às estimativas para o IPCA fechado de julho, Serrano afirmou que a desaceleração deve continuar e o indicador do IBGE mostrará uma taxa de 0,55% a 0,6%, contra 0,74% no mês anterior.
Administrados – Os preços administrados fecharam o IPCA-15 com alta de 0,41%. Em junho, eles subiram 0,25%, mas fecharam o mês em alta de 0,22%. Esses preços incorporam parte dos reajustes das tarifas de energia elétrica e pedágios no estado de São Paulo, do gás veicular e das tarifas de água e esgoto em várias regiões do País.
O IPCA-15 é lido como uma prévia do IPCA, que será divulgado em 8 de agosto. A diferença entre os dois indicadores é o período de coleta de preços. O IPCA-15 é apurado com base na variação dos preços entre a segunda quinzena do mês anterior e a primeira quinzena do mês corrente. Já o IPCA é resultado da variação de preços ao longo do mês inteiro.
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