As constantes inundações causadas pelas chuvas que caem desde dezembro estão causando sucessivos prejuízos para os comerciantes do Centro de São Bernardo. Há lojas em que os danos alcançaram o valor de R$ 50 mil em apenas uma das cheias.
Este foi o caso do empresário Armando Abdouni, 52 anos. Na manhã de ontem, ele acompanhava a instalação de uma comporta mais alta na loja de móveis da família, na Rua Jurubatuba. "Há duas semanas, a água ultrapassou o nível da comporta e a loja ficou inundada. Perdemos vários móveis. Mesmo as poltronas que conseguimos resgatar terão de ser vendidas com descontos de até 70%, porque tivemos que lavá-las", destacou.
A cerca de um quilômetro dali, na Avenida Faria Lima, o gerente de um centro automotivo teve de suspender as férias para contabilizar as perdas na loja, que permaneceu fechada por quatro dias nesta semana devido às enchentes.
-Ainda não tenho ideia do que perdi. A água estragou muitas peças e equipamentos. Só as máquinas de balanceamento e alinhamento custam R$ 20 mil-, afirmou o gerente, que preferiu não se identificar, com medo de que os clientes se afastassem da loja ao saber dos danos às instalações.
O medo de perder fregueses é preocupação constante também para Daniele Mareze, 35. Dona de uma loja de manutenção e venda de eletrodomésticos, ela reclama que o fluxo de clientes diminuiu com as constantes chuvas. "As pessoas estão com medo de sair de casa à tarde e ficarem ilhadas no Centro. As vendas caíram muito", disse. Se não bastasse isso, a loja teve um prejuízo de R$ 30 mil com equipamentos perdidos nas enchentes.
Segundo o presidente da Acisbec (Associação Comercial e Industrial de São Bernardo), Valter Moura, a entidade está consciente dos problemas enfrentados pelos empresários, mas é preciso esperar a passagem do primeiro trimestre para cobrar o poder público. -Está chovendo mais do que o previsto e a cidade não está preparada. A partir de abril - com o fim da estação chuvosa - vamos começar a cobrar ações para que as enchentes não se repitam-, disse Moura.
Procurada, a Prefeitura não se manifestou até o fechamento desta edição.
Empresários têm direito a indenização
Para o advogado especialista em Direito Imobiliário Thiago Antolini existe a possibilidade de os comerciantes cobrarem das prefeituras os danos sofridos pelas enchentes.
-É muito comum que as pessoas entrem com pedidos de indenização para recuperar o valor de equipamentos e móveis danificados. Para isso, é necessário que se reúnam provas de que existe a responsabilidade da administração municipal.-
Segundo ele, em casos como o dos comerciantes do Centro de São Bernardo, que enfrentam as enchentes há vários anos, é possível alegar que a Prefeitura foi negligente. "Se o problema se repete há vários anos e está sem solução, a culpa é por omissão. Se mesmo em áreas invadidas a responsabilidade é da Prefeitura, a situação se complica ainda mais se tratando de uma área central", disse Antolini.
RECLAMAÇÕES - Em Santo André, o presidente da Acisa (Associação Comercial e Industrial de Santo André), Sidnei Munerati, afirma que a entidade está servindo de intermediária entre comerciantes e o poder público.
-O volume de chuvas tem prejudicado as vendas do varejo, principalmente do comércio da periferia e da região da Rua Oliveira Lima, no Centro. As pessoas estão fugindo das ruas. Por enquanto o que estamos fazendo é levar as reclamações dos empresários à Prefeitura-,destacou.
FONTE DGABC
Sábado, 30 de janeiro de 2010, 08:20
Evandro Enoshita